Depois do caos envolvendo semicondutores e do aumento absurdo nos preços de memórias, agora o problema chegou à base de praticamente todo equipamento eletrônico: as placas de circuito impresso, conhecidas como PCBs.
Essenciais para qualquer dispositivo — de smartphones a placas de vídeo e servidores — os PCBs se tornaram o novo gargalo da indústria. E o motivo por trás disso é um detalhe técnico que virou protagonista: a escassez de fibra de vidro do tipo T, um insumo indispensável na fabricação dessas placas.
IA no topo da cadeia alimentar
Se antes a inteligência artificial já pressionava o mercado de chips, agora ela também domina o consumo de materiais estruturais. A crescente demanda por servidores de IA, cada vez mais complexos e potentes, exige PCBs com múltiplas camadas e altíssima precisão — o que consome volumes gigantescos de matéria-prima especializada.
Nesse cenário, a japonesa Nitto Boseki, uma das líderes globais na produção dessa fibra de vidro específica, virou peça-chave. O problema? A capacidade atual não acompanha o ritmo acelerado dos pedidos, especialmente vindos de grandes empresas de tecnologia.
Produção travada e prazos fora da realidade
O impacto já é sentido em toda a cadeia. O que antes levava poucas semanas para ser entregue agora pode ultrapassar seis meses. Esse atraso brutal está forçando fabricantes a adotar sistemas de racionamento, distribuindo materiais de forma limitada para manter as linhas funcionando — mesmo que parcialmente.
Naturalmente, o foco acaba sendo direcionado para equipamentos ligados à IA, enquanto produtos convencionais enfrentam atrasos e menor prioridade.
Preços em efeito cascata
Como se não bastasse, essa nova crise se soma ao aumento expressivo nos preços de memórias DRAM e NAND, que chegaram a subir entre 200% e 300% no início de 2026. Mesmo representando apenas parte do custo total de um dispositivo, esse aumento já havia pressionado os preços finais.
Agora, com a escassez de PCBs entrando na equação, o impacto se intensifica. O resultado é um efeito dominó que atinge fabricantes e consumidores, tornando eletrônicos mais caros e, em alguns casos, mais difíceis de encontrar.

Quando isso vai melhorar?
A resposta curta: não tão cedo.
Analistas do setor apontam que qualquer sinal de normalização só deve aparecer a partir de meados de 2027. A Nitto Boseki já anunciou investimentos para expandir sua produção, mas novas fábricas levam tempo — e os primeiros resultados concretos devem surgir apenas no final de 2026.
Até lá, o mercado deve continuar enfrentando uma combinação complicada: alta demanda, oferta limitada e preços pressionados.
No fim das contas, essa crise deixa uma lição bem clara: na indústria de tecnologia, até o menor componente pode se tornar o maior problema.
Fonte: hardware.com.br









